Ressacs

Compagnie Gare Centrale (Bélgica)

14 Out · 21h30
15 Out · 17h

TMP Rivoli – Grande Auditório Manoel de Oliveira

60' · M12

Legendado PT/EN

© Alice-Piemme
© Alice-Piemme
© Alice-Piemme

De e por Agnès Limbos, Gregory Houben

Olhar exterior e colaboração na escrita Françoise Bloch

Música original Gregory Houben

Cenografia Agnès Limbos

Figurinos Emilie Jonet

Conceção e realização ferroviária Sébastien Boucherit

sob um céu de Antoine B.

Direção e assistência técnica nos ensaios Jean-Jacques Deneumoustier, Gaëtan van den Berg, Alain Mage

Régie Thom Luyckx

Apoio à construção Didier Caffonnette, Gavin Glover, Julien Deni, Nicole Eeckhout

Efeitos especiais Nicole Eeckhout

Administração Sylviane Evrard

Produção Compagnie Gare Centrale em coprodução com Le Lindenfels Westflügel, Internationales Produktionszentrum für Figurentheater (Leipzig, Alemanha), TJP, Centre Dramatique National d'Alsace-Strasbourg, Théâtre de Namur

Com o apoio de TANDEM Arras-Douai, do Théâtre National (Bruxelas), do Mouffetard – Théâtre des arts de la marionnette / Paris, do l'ANCRE / Charleroi e do Festival Mondial des Théâtres de Marionnettes de Charleville Mézières

Realizado com a ajuda da Fédération Wallonie-Bruxelles – Service du Thèâtre

www.garecentrale.be

Dois atores estão sentados a uma mesa e contam histórias com dois pequenos bonecos e acessórios fantasistas ; um casal – perfeito e bonito, - muda repentinamente de situação, depois, muda de novo, desenhando com as suas circunvoluções uma tragicomédia social. Um sucesso! Na origem: um casal perdido no meio do mar, num pequeno bote velho. Sopram ventos dominantes, o casal balança, o bote também. E a direção é incerta. A sua indigência é total. Perderam tudo: a casa, "a beautiful house in a residential area", o carro comprado a crédito, o jardim francês "with so marvelous roses": o banco ficou com tudo. Só Jesus pode ainda, pensam, vir em seu auxílio e trazer-lhes a sua "colour TV". Apelam-lhe num desolado gospel e acabam por encalhar, por acaso, num pedaço de terra. Virgem? Não haverá qualquer coisa a fazer, a tomar, a construir ? Em sonho, à noite, passam as caravelas de Colombo, acompanhadas pela música das grandes conquistas…

 

 

O Teatro de Objeto

Por AGNÈS LIMBOS

O teatro de objeto, assinatura dos espetáculos de Agnès Limbos, é uma forma particular e singular de teatro, em que o objeto é manipulado à vista, e em que o ator está no centro do espaço. Quando falamos de "objeto", falamos de objetos que fizeram ou fazem parte do nosso quotidiano, com todos os valores nostálgicos ou imaginados que contêm. O impacto visual é imediato. São "elementos" que saem da vida tal qual são e entram em cena por escolha do manipulador, ou por um acaso de encontros. Um teatro sem asas, que usa a metáfora, o simbolismo, a sugestão, seguindo caminhos alternativos. O teatro de objeto permite contar histórias, mudar rapidamente de lugar, de dimensão, de escala (passagem rápida do grande ao pequeno ou do pequeno ao grande), de visões e de pontos de vista. Um pequeno barco, um cão de porcelana, uma gaivota, caravelas, uma casinha, uma palmeira, uma boneca africana… A manipulação é um trabalho minucioso, de ourives, e uma passagem obrigatória: há que alcançar a verdadeira manipulação e não a agitação. Sem este controlo, não podemos contar a história. Temos a mesma exigência para o texto, com a pontuação, os silêncios, que para a coreografia dos objetos onde cada gesto e cada movimento é carregado de sentido. Olhar para um objeto por cima ou por baixo dá ao espectador leituras diferentes. Somos como realizadores de cinema decidindo o posicionamento da câmara, para um grande plano ou um close-up.

 

 

LA MUSIQUE

Música

Por GREGORY HOUBEN

Gregory Houben, trompetista de jazz, compositor e ator, propõe uma série de momentos musicais que elevam e acompanham o espetáculo: canções acompanhadas por um órgão Magnus (tipo Armée du Salut), por um trompete solo ou ainda por um tambor. Segue os temas propostos, passando do Gospel, reflexo de toda a esperança, ao lírico, o canto narrativo, reflexo da sua perdição, do delírio. As composições são originais. A primeira vez que fui ao teatro, vi Petrouchka, da companhia Gare Centrale, com Agnès Limbos. Há que dizer que era um privilegiado, a minha mãe fazia a programação para jovens públicos em Verviers! Não me contentei em vê-lo apenas uma vez; fiquei tão fascinado que pedi à mamã que me levasse mais uma vez e outra. E foi assim com todos os espetáculos seguintes, até eu ter idade para ir sozinho. Esta experiência levou-me a inscrever-me em arte dramática no Conservatório de Verviers, aos 14 anos, onde infelizmente tive de aprender a diferença entre teatro de objeto e um Calígula ou um Shakespeare… Em definitivo, e mesmo tendo frequentado muitos teatros, Agnès Limbos permanecerá a minha referência e a minha preferência… a minha Madeleine de Proust. Fiquei muito emocionado quando, em 2006, Agnès me pede para tocar a música da nossa nova criação Ô e, mais tarde, para a seguinte, Troubles. Nestes espetáculos tocamos um sintetizador Casio, trompete e cantamos grandes standards como La Carioca, Blue Room ou ainda Que reste-t-il de nos amours… Escolhas que fizemos juntos e que parecem ilustrar muito bem o universo desse par, casado em Nova Iorque. Para esta nova criação, queria poder criar música à medida. Preparei antecipadamente alguns universos musicais mas, como a escrita do espetáculo parte, muitas vezes, de improvisações, pude também reagir em direto e propor músicas no momento. Improviso uma melodia ou um acompanhamento e depois apuro-a e enriqueço-a até ser aquilo que condiz perfeitamente com o que queremos ouvir naquele momento. A instrumentação é simples: um trompete e dois órgãos Magnus. São órgãos elétricos com um som de harmónio, com a particularidade de, como num acordeão, terem um banco de acordes, na mão esquerda, o que facilita consideravelmente tocá-los. Eu e a Agnès conseguimos acompanhar uma melodia com uma só mão enquanto a outra toca trompete ou manipula um objeto. O som que sai destes instrumentos é tão particular que me obriga a compor a música nestes órgãos. Quando se ligam estas máquinas, o motor gira e faz passar o ar por entre as palhetas, o que resulta numa algazarra inacreditável. Ao premir as teclas, somos transportados para um universo estranho, que deixa a nossa imaginação correr. Assim, não é difícil encontrar inspiração; temos apenas de nos deixar guiar por estes órgãos de plástico com uma sonoridade "barata", mas extremamente narrativos. O repertório para órgão é vasto. Conhecemo-lo na música sacra, a solo ou como acompanhamento. Lembro-me de ter assistido a um concerto do coro da igreja Saint-Thomas de Leipzig aquando de uma tournée com a Agnès. Albenoni escreve, no século XVII, um concerto maravilhoso para trompete e órgão. Aparece, também, na música negra americana (Gospel) e fará mais tarde a sua aparição no jazz, em versão portátil (órgão Hammond). Como compositor, este instrumento (mesmo muito mais pequeno e de plástico) oferece-me muitas pistas de criação e permite-me tocar imaginários diferentes e poderosos. O trompete, sendo um instrumento clássico do jazz, permite-me navegar nestes diferentes repertórios e servir melhor os meus propósitos. Uma bela aventura em perspetiva.

 

 

LA SCENOGRAPHIE

A cenografia

Tal como em Troubles, uma cenografia simples, permitindo as manipulações de objetos, um espaço de representação para os atores: Uma mesa quadrada, reprodução de um «pequeno» palco de teatro. É aqui de se vão manipular os objetos e que se vão desenrolar as cenas (por exemplo, uma toalha azul representa o mar, um pequeno barco de madeira manipulado balança na água). Um banco onde os dois atores se sentam à mesa, presos como que no pequeno barco do casal do qual contam a história. Uma grelha suspensa sobre as suas cabeças permite a suspensão de um universo kitsch, poético; uma evocação dos pequenos teatros de cartão revelando uma maquinaria teatral manipulada em direto pelos atores (abertura de nuvens, gaivota batendo as asas, pequenas iluminações…).

 

Agnès Limbos e Grégory Houben colaboram desde 2006. Nesse ano, criam "ô!", no Théâtre de la Balsamine (Bruxelas), uma curta-metragem teatral de 25 minutos. Desse espetáculo nascerá Troubles, a evocação elíptica e deslocada de três momentos no quotidiano de um casal. Ressacs nasceu da sua vontade de prolongar o seu duo. Um teatro distanciado, preciso, rítmico, musical tanto no texto como nas ações.

 

AGNÈS LIMBOS

Segue um percurso autodidata que a leva, entre outros, a trabalhar como marionetista no Théâtre de Toone, em Bruxelas (1973), em tournée aos Estados Unidos (1974), a trabalhar como atriz no Théâtre des Jeunes de la Ville de Bruxelles (1975/1976), aluna na École Internationale Mime Mouvement Théâtre Jacques Lecoq, em Paris (1977/1979), atriz na Compagnie "Tres" , no México (1980/1982). Cria a Compagnie Gare Centrale em Bruxelas, em 1984. Agnès Limbos desenvolve uma abordagem pessoal como atriz-criadora. Especializa-se no teatro de objeto, desenvolvendo esta forma que mistura trabalho de ator com a manipulação de objetos. Depois da fundação da companhia, todos os seus espetáculos são distinguidos em numerosos festivais estrangeiros de teatro, marionetas ou jovens públicos: tournées em Israel, Inglaterra, Espanha, Itália, Hong Kong, Alemanha, Áustria, Suíça, Canadá, EUA, França, Brasil, etc. Para cada criação, a companhia rodeia-se de colaboradores artísticos e técnicos e há uma fidelidade estabelecida, ao longo de anos e de criações, com os artistas que participam ou aconselham nos projetos: Françoise Bloch, Anne Marie Loop, Sabine Durand, Nicole Mossoux, Guillaume Istace, Lise Vachon, Marc Lhommel, Françoise Colpé, Nevill Tranter, entre outros...

 

GREGORY HOUBEN

Nasceu em 1978, filho de um pai músico e de uma mãe organizadora de espetáculos, e moce-se, desde muito pequeno, no universo artístico. Aos 14 anos, começa os estudos de teatro no conservatório de Verviers e dedica-se inteiramente à arte da palavra. A música já o interessa e aprende acordeão diatónico com Didier Laloy. Aos 17 anos, parte numa viagem iniciática ao Brasil e é neste ano de descoberta que decide dedicar-se de corpo e alma à música. Quando regressa à Bélgica, recupera o tempo perdido e inscreve-se no conservatório de Verviers a tempo inteiro, estudando solfejo, harmonia, piano… e trompete. Dois anos depois, entra no conservatório de Maastricht com Rob Bruinen onde estudará um ano. É com Richard Rousselet que terminará a sua aprendizagem, no conservatório de Bruxelas, onde se diploma. Durante estes anos de estudo, cria o seu primeiro trio com Quentin Liégeois e Samuel Gerstmans. Neste trio, Gregory descobre um gosto pelo canto e vai desenvolver cada vez mais esta disciplina. Forma depois o projeto "Brazz" com Maxime Blésin. Este grupo tocará, essencialmente, música brasileira e apresentar-se-á em grandes salas belgas, como o Grand Place, no verão de 2003. Com Julie Mossay forma o grupo "Après un rêve", um caminho entre a música clássica, a world music e o jazz.

 

FRANÇOISE BLOCH

Desde 2006, Françoise Bloch e a sua companhia Zoo Théâtre desenvolvem uma pesquisa em que a exploração documental (entrevistas, inquéritos, filmes…) serve de trampolim, ora físico ora crítico, para o reinventar de possíveis caminho entre os fragmentos coligidos do "real" e as suas transposições teatrais. Transposições que convocam movimento, vídeo e música e onde os atores-narradores-intérpretes representam todos os papéis. Alarmada pela obsessão da avaliação, o culto da performance, a formatação e, de modo mais geral, pela violência atual do capitalismo, a companhia vai à raiz do teatro: "representar", voltar à cena e reinventar-se. O seu último espetáculo, Money! (2013), criado em colaboração com o Théâtre National (Bruxelas), o Théâtre de Liège et l'Ancre (Charleroi) foi considerado "meilleur spectacle 2013-2014", nos prémios da crítica belga francófona.

Teatro Rivoli

Praça D João I, Porto

223 392 201

Contactos

Travessa da Formiga nº 65
Espaço 1, Piso 1
4300-207 Porto
(+351) 223 320 419

apoios
apoios
apoios
apoios
apoios
apoios